terça-feira, 21 de dezembro de 2004

Questões para 2005: O Fla-Futebol

Já é oficial: Júnior não é mais o diretor técnico do Flamengo. Com ele, deve sair também o José Maria Sobrinho - assim como, do outro lado, cai o Paulo Dantas. Ao que tudo indica, assume como vice-presidente de futebol Gérson Biscotto, atualmente no esporte amador. Segundo Márcio Braga, ele estará "cercado de profissionais por todos os lados" e a intenção do presidente é "manter o modelo".

A pergunta é: que profissionais serão esses? Quais serão suas funções? E, afinal de contas, o que é "o modelo"?

O Flamengo tem um problema sério de organização interna que, a meu ver, é o principal causador das péssimas campanhas que o time cumpre a cada ano. Não pode ser só coincidência ou azar que tantos e tantos jogadores que se destacam em outros clubes fracassem na Gávea. E não foram nem um nem dois destes que confirmaram em entrevistas a bagunça que reina por lá.

A primeira coisa a ser feita é definir o tal "modelo", estipulando a função de cada um que lá estará. Afinal de contas, se o Júnior era quem mandava na parte técnica e o José Maria Sobrinho era quem respondia pela parte administrativa do futebol, qual era a função do Vice-Presidente de Futebol? O que sobrava para ele? Nada, e ao mesmo tempo, tudo. E, assim como ele, existem um sem-número de pessoas que flutuam em volta do futebol do Flamengo, sem função definida e que se acham no direito de dar palpites e apitar em alguma coisa em algum momento.

(Nunca vou me esquecer da reação do Juninho Paulista ao saber que teria que ir a uma reunião com o Onça: "Afinal de contas, quem é esse cara? O que ele faz aqui?")

Não é possível uma empresa funcionar sem que os empregados saibam a quem respondem. Tem que estar claro para todos quem é o responsável pelo dinheiro, pelas cobranças técnicas, pela disciplina, pelo planejamento. Não dá mais para uma contratação ser feita e ficarem todos - jogadores, técnico, imprensa, torcida - sem saber quem afinal achou que seria uma boa idéia trazer o fulano.

Lá estará agora o Gerson Biscotto. Ele vem para substituir o Júnior? O Paulo Dantas? O Sobrinho? Ou todos ao mesmo tempo?

E os tais profissionais que irão cercá-lo - para que eles servem? Quais serão suas funções? Existe gente qualificada por aí para desempenhá-las? Muitos falam que o cargo do Júnior deveria ser ocupado por alguém com experiência, mas se esquecem de que esse alguém que estão imaginando simplesmente não existe; dá pra contar nos dedos de uma mão a quantidade de "gerentes de futebol" profissionais que foram bem sucedidos no Brasil.

Enfim, muito se fala no tal "profissionalismo" como se fosse uma solução mágica. Só que simplesmente pagar salários para um punhado de pessoas e chamá-los por conta disso de "profissionais" não vai adiantar muita coisa. É necessário mudar a maneira como se enxerga o funcionamento do futebol como um todo, e aí partir daí fazer as mudanças necessárias.

Flamengo Net

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