Retrato de um clube em frangalhos
Quem leu a matéria sobre o Flamengo e a coluna do Fernando Calazans hoje n'O Globo, viu que ambas são, não sei se propositalmente ou por coincidência, um retrato da atual situação caótica pela qual passa o clube. E o pior, não dão soluções.
Não vou perder meu tempo criticando matérias de jornal como se fosse um vascaíno com mania de perseguição, mas gostaria de abordar os pontos tocados nos textos. Em particular, quatro deles.
O primeiro é, lógico, o dos salários. Um empréstimo da CBF e parece que os problemas estão resolvidos, por enquanto. Pelo que eu entendi, usarão o dinheiro para pagar os salários dos jogadores, mas aí ficou a dúvida. A folha salarial é de 1 milhão, ou pouco menos que isso. Se eles estão devendo dois meses (dizem que são três, não sei), esse valor não cobre a dívida. E se pagar agora, como vai pagar no mês que vem? Já resolveu o problema da BR?
Esse pagamento pode soar como um "cala a boca e não reclama" para os jogadores, ainda mais, que veio de um adiantamento de cotas da Nike, o que na ocasião da contratação de Dimba, não era possível fazer, segundo a dupla Dantas & Rocha. Não entendi.
Vamos ver o caso PC Gusmão. Currículo ele realmente não tem nenhum. Nunca vi ninguém preencher um CV dizendo "sou amigo de fulano". É o caso mais claro de Q.I. - quem indica - dos últimos tempos no futebol. É claro que ninguém nasce sabendo e que todo mundo tem que começar um dia, mas o Flamengo não estava precisando de um iniciante, por mais barato que seja.
E o pior de tudo, é que o iniciante já está falando em sair. Chegou, perdeu dois jogos e já quer tirar o corpo fora? Se nem ele, treinador do time, é capaz de esperar cinco jogos para decidir se vaia ou aplaude (como sugeriu um bloggeiro), por que a torcida deveria esperar?
Queria escrever também sobre uma declaração do Júnior e dos reforços do time ao longo do ano. "Tenho responsabilidade, mas não tenho autoridade". De fato. Concordo. Mas não posso apoiar nem aplaudir os jogadores que ele trouxe para o time. Como frisou o Calazans, o Júnior, com todo seu conhecimento técnico e prático de futebol, não poderia jamais ter assinado contratos de coisas como Douglas, Roger, Juliano e outros.
Sou extremamente a favor de sua política de pagar menos do que arrecada (até porque assim, vai arrecadar cada vez mais), mas na hora de contratar, sai de baixo. Poderia ter procurado melhor. Por que não critiquei antes? Quem lê os meus textos sabe que eu sempre achei o time ruim. Só não sabia que era tão ruim. E quem fez o time foi o Júnior, ao trazer o Abel (que eu critiquei desde o início), que por sua vez trouxe os jogadores (que eu critiquei no post "É com isso que a gente vai?"), que trouxeram os vexames.
Sempre achei o time horroroso, mas cismavam em dizer que estava no nível dos demais e me chamar de anti-rubro-negro, vascaíno, pessimista, nilista... Mas volto a dizer: em termos de planejamento, Júnior deu aula nos dirigentes que soltam suas larvas na Gávea. Ainda sou muito mais ele. Mas tem aqueles que gostam de achar que tudo é culpa do Capacete. Fazer o quê? Esse é um país livre...
Outro ponto (o último) é a recuperação. Estão falando de Goiás, que ainda tem tempo, que é só ganhar três jogos, que isso, que aquilo e tudo mais. É, realmente o Goiás conseguiu no ano passado. Não tem 1/3 da pressão do Flamengo e foi o "caso inédito". O Flamengo não é mais. Agora, todos falam que o Goiás conseguiu, logo, o Flamengo tem que conseguir. É aquela história: fazer três a zero num jogo qualquer é fácil. Difícil, é entrar em campo precisando fazer três a zero. E falando em probabilidades, juntem todos os campeonatos de pontos corridos do mundo e me dêem três exemplos recentes. Campeonato Romeno de 1923 não vale. Se me derem três, eu aí posso acreditar que dá. Por enquanto, estou só na fé mesmo.
E para terminar, se o campeonato fosse em turno único, hoje estaríamos rebaixados. Se o Flamengo se salvar, quero ver criticarem os pontos corridos.
sexta-feira, 6 de agosto de 2004
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