quinta-feira, 15 de julho de 2004

Brasil, 2044 (ou apenas uma viagem ao sonho dos pessimistas de plantão)


E deu a lógica. O São Caetano conquistou no último domingo, o seu 11º título brasileiro e se consolidou de vez, como o clube mais vitorioso da última década. Após uma campanha intocável, o Azulão chegou no último jogo do triangular decisivo, contra o Cruzeiro, com a vantagem do empate. E com o gol de Adhemar Neto, logo aos cinco do primeiro tempo, as chances da Raposa se acabaram de vez. O gol, o 41º do jogador na competição, foi a senha para explodir os mais de 140 mil torcedores que lotaram o estádio Nairo Ferreira de Souza, o Azulão. E o título comprovou a mística: desde que o São Caetano comprou o Morumbi do São Paulo (que continua lutando para sobreviver na primeira-divisão), foram seis decisões e seis títulos.

O campeonato foi equilibrado. Com o número ideal de clubes (45 dividos em três grupos de 15), os mais fortes confirmaram o favoritismo e sempre se mantiveram na frente. São Caetano, Cruzeiro, Atlético Paranaense, Criciúma, Vitória, América-MG, Caxias, Fluminense de Feira e o Reino de Deus do Rio de Janeiro, fizeram excelente campanha, mostrando o equilíbrio da competição.

No triangular final, Criciúma, Cruzeiro e São Caetano fizeram jogos empolgantes e encheram os estádios. O 4x4 entre Cruzeiro e Criciúma foi com certeza uma das melhores partidas dos últimos anos no Brasil e confirmou o nascimento de um craque: Tózinho, que provou que sua profissionalização tardia (só jogou com o time principal aos 17 anos) não afetou o seu desempenho, como muitos (inclusive esse repórter) pensaram que afetaria.

Tózinho nos brindou com lances mágicos, como no golaço contra o Palmeiras na terceira rodada, quando driblou todos os nove jogadores do time adversário. Aliás, desde que a FMF (Federação Mundial de Futebol) tomou o lugar da FIFA como entidade máxima e instituiu novas regras no futebol, o nível tem melhorado muito. Definir como padrão que cada time só possa ter no máximo 8 jogadores de linha, foi a melhor decisão da entidade. Alguém aí ainda sente saudade da FIFA?

Mas se a 73ª edição do Campeonato Brasileiro não nos reservou supresas na parte de cima da tabela, lá embaixo, podemos dizer que o bicho pegou, mais uma vez. O Corinthians e o Internacional passaram toda a competição entre os seis últimos e só escaparam na última rodada. O Inter até que vinha melhorando e merecia fugir, mas o Corinthians só escapou graças a ajuda absurda dos árbitros Félix Isaias Cortes, Maxwell Pontes, Pedro Anísio Oliveira e Paulo Machado Munhoz, que marcaram quatro pênaltis duvidosos na partida contra o Francisco Beltrão, salvando o time paulista daquele que seria o seu segundo rebaixamento na história.

O Grêmio continuou fazendo seu papel mediano e com poucas vitórias, mas muitos empates, conseguiu se classificar para a segunda fase, onde parou no campeão Azulão. Resta saber se o presidente Danrlei vai cumprir a promessa que havia feito no início do campeonato, de sair caso o time não conseguisse o título. Não surpreende ninguém, já que há três anos ele vêm dizendo isso.

Mas caótica mesmo é a situação dos clubes do Rio de Janeiro. Com exceção do Reino de Deus, mais uma vez recordista de público, todos os demais só passaram vergonha. O Flamengo repetiu 2004, 2019 e 2033 e mais uma vez foi rebaixado. Aliás, desde o título da Copa do Brasil de 2017 sobre o Operário-MS, que o Flamengo não ganha mais nada. Sua torcida, que já foi a maior do Brasil, hoje é talvez a quinta ou sexta maior do sudeste.

O presidente rubro-negro Marcelo Cardoso, mais uma vez se mostrou mais preocupado com seus negócios de turismo submarino do que com o time, que se viu sem comando e sem treinador durante dez rodadas, quando recorreu ao quase centenário Joel Santana (o mais velho treinador em atividade com 96 anos) para fugir do rebaixamento. O Flamengo é um clube sem rumo. Desde que aterraram a Lagoa em 2023 e a atividade do remo foi suspensa, o rubro-negro da Barra da Tijuca vem focando suas forças no futebol, mas só coleciona fracassos. O próprio presidente já estuda a possibilidade de fazer como o Botafogo e fechar as portas até que tudo volte ao normal. Mas lembrem-se que o Botafogo não disputa uma competição há seis anos.

O outro carioca, o Vasco de São Cristóvão, continua de fora, em protesto pela morte de seu presidente, Álvaro Miranda, que teria sido assassinado por torcedores do Flamengo, em 2040. Como o conselho do clube decidira na época, o Vasco não voltaria a disputar campeonatos, enquanto o Flamengo não fosse banido do futebol. Mas até hoje não provaram nada e o Vasco continua de fora. Uma pena, pois desde a fusão com São Cristóvão, o Vasco vinha fazendo boas campanhas com nove vices nacionais. O Fluminense continua na terceira divisão de onde tenta sair há longos quatorze anos.

A esperança da torcida brasileira é que para o ano que vem, o futebol se mostre tão equilibrado quanto em 2044. E se a promessa do Santos de contratar o maior craque mundial, o russo Ievishov, se confirmar, podemos esperar mais emoção e técnica dentro de campo.

E parabéns ao Azulão, mais uma vez. Já está virando rotina.


Flamengo Net

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