O público e o privado
Capitão Arthur mandou voltar ao assunto. Eu, que tenho juízo e não sou nem titular deste divertido blog, obedeço.
O post de domingo sobre a Globo gerou discussão, e é esse mesmo o objetivo. Acho que vale a pena ressaltar mais duas ou três coisas a respeito, como diria um grande professor do colégio, ilustre brizolista (que Deus tenha o bom velhinho) e rubro-negro.
Um leitor disse que criticar a emissora líder é "papo de time perdedor". Discordo. Criticar a conduta da Globo, pelos motivos já enunciados, é uma obrigação de quem gosta de futebol e assiste aos desmandos da emissora nos campeonatos daqui. (Isso pra não falar em situações esdúxulas como o monopólio de transmissão da Copa do Mundo).
O futebol é um patrmônio cultural do Brasil. Não pode ser tratado como ativo de um grupo de televisão - seja ele de propriedade dos Marinho, dos Saad, do Bispo Macedo ou do Silvio Santos.
Em outros países, onde essa consciência crítica ganhou força entre os torcedores - que são os verdadeiros donos da indústria da bola -, a tevê foi obrigada a rever suas posições. Na Alemanha, por exemplo, houve um boicote às transmissões há dois ou três anos, pelo mesmo motivo dos horários, e a Bundesliga foi obrigada a voltar atrás. Quem acompanha o noticiário esportivo com mais atenção saberá precisar os detalhes.
É um equívoco grave achar normal que interesses privados se sobreponham ao interesse público. Infelizmente, essa distorção já está ganhando força suficiente para justificar muito abuso de poder neste país.
quarta-feira, 23 de junho de 2004
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