segunda-feira, 28 de junho de 2004

O ídolo Júlio César?



Em meio à carência técnica que hoje toma conta dos gramados brasileiros, à despedida precoce de candidatos a ídolo e ao troca-troca maluco e incessante de jogadores, as maiores esperanças de que alguém se firme de verdade na história de algum grande clube brasileiro residem em uma única posição: o gol.

Marcos e Rogério Ceni são exemplos de jogadores de alta categoria que permanecem há muito tempo em seus clubes e já podem ser relacionados em qualquer lista de grandes ídolos de Palmeiras e São Paulo, respectivamente. No Flamengo, não há dúvidas de que este jogador é Júlio César.

Titular há quase quatro anos, quando ganhou a posição do hoje colorado Clemer, o goleiro rubro-negro já passou por poucas e boas defendendo as cores do Flamengo. Cansou de buscar bolas no fundo das redes (não foram poucas as goleadas) e participou das intermináveis lutas contra o rebaixamento. Em contrapartida, esteve presente também nos bons momentos e sempre se destacou. Defendeu pênaltis, chutes à queima roupa, salvou o time de muitas derrotas e, principalmente, mostrou orgulho em defender o Flamengo.

Ou alguém já esqueceu das lágrimas do jovem Júlio César após a derrota para o Cruzeiro, em partida válida pela Copa João Havelange, quando o Flamengo foi eliminado dentro do Maracanã? Ou de sua emoção após as importantes vitórias, quando sempre soltava uma mais ou menos assim, com os olhos marejados: "Esse grupo é maravilhoso!"?

Tudo bem que o Flamengo contou com poucos "grupos maravilhosos" nos últimos tempos, mas isso não importa. Talvez importe para alguns que o jogador precise fazer parte de uma época vitoriosa para se consolidar como um verdadeiro ídolo. Não é bem o caso de Júlio César, é verdade, mas isso não diminui seus méritos e muito menos faz o torcedor rubro-negro esquecer de sua identificação com o clube.

Feita a homenagem, segue a pergunta: quem acha que o Júlio César merece lugar na galeria dos maiores ídolos do Flamengo? Eu adianto a minha resposta: talvez ainda falte um pouco, mais um ou dois anos. Mas penso que, com mais estrada e mais algumas lágrimas, ele poderá ultrapassar Raul. Com a diferença (determinante) de que o último fez parte da época de ouro do clube.

Flamengo Net

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