terça-feira, 15 de junho de 2004

Na entrada da meia-lua

Percebi que estava viciado em futebol quando já não me contentava em saber o resultado pelo Fantástico. Passei a ouvir os jogos pela rádio, isso no início dos anos 80, quando eu tinha meus 12 anos. Eram tempos em que a rádio ainda ocupava o lugar que hoje é da TV.

Você imagina uma final de campeonato brasileiro sem transmissão ao vivo pela TV Globo? Pois é, quem viveu naquela época gloriosa sabe que no Rio, afora o público que lotou o Mário Filho, só mesmo pela fabulosa invenção de Marconi [há controvérsias] para acompanhar ao vivo os 3 a 2 sobre o Atlético-MG. Nada de Tv a cabo, pay per view. Ficava tudo por conta da imaginação, guiada por locutores extraordinários como Jorge Curi e Waldir Amaral, ou pelo garotinho José Carlos Araújo.

Parece papo de nostálgico, mas eu vou encurtá-lo. Já naquela época a expressão "na meia-lua" provocava emoções. Instantaneamente eu desenhava na mente uma chance clara de gol.

É esse o ponto. Aquela região é estratégica. Parece-me óbvio que está mais próxima do triunfo a equipe que souber protegê-la na defesa e que criar condições para finalizar naquela fatia de gramado, certo?

Entretanto, não é o que acontece. Percebo que o Flamengo desperdiça alguns ataques por erro no posicionamento. Numa jogada de linha de fundo é imprescindível que apareça alguém na entrada da meia-lua. Para finalizar ou aproveitar um rebote. Como teoria, parece o beabá, mas na prática tal falha mais uma vez foi observada.

A meia-lua é um espaço privilegiado. Um bom chute dali é quase indefensável. Um técnico tem a obrigação de melhorar o posicionamento dos jogadores, notadamente os meias e volantes. Por que não orientá-los para que procurem aquela região? Por que não encher o saco, quiça com vídeos editados, para que estejam sempre prontos para a sobra?

É o que espero de Abel Braga.

Trecho da coluna na Flamengo NET

Flamengo Net

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