"É Hoje" - parte IV - O "É Hoje" final
São 21:30. A hora começa a demorar mais ainda para passar. Você está no meio daquela massa e mal consegue ver o campo, porque sempre vai ter um braço ou uma bandeira impedindo a visão. Ninguém mais está sentado. Quando consegue visualizar o gramado, você vê dezenas de crianças e um número ainda maior de repórteres, esperando pelo Flamengo na saída do vestiário. Passa logo, hora desgraçada.
21:40, está chegando o momento. Sabe quando você está num show, conversando com um amigo e de repente, sem aviso nenhum, as luzes começam a se apagar, uma a uma, até que você se vê no meio de um breu total, mas com um barulho ensurdecedor de fãs alucinados esperando pelo show que está pra começar? Pois é, a sensação é a mesma, mas ao invés de as luzes se apagarem, um grito vem nascendo do nada e um festival de cores, fumaça e explosões toma conta do Maracanã. Vai começar a festa.
Imagine um moleque que nunca viu o Flamengo ser campeão nacional, seja pela TV ou ao vivo. Ele olha para os lados e se depara com um coroa que exala experiência de vida em estádios. O moleque pensa "esse aí deve ter ido pra Tóquio, se bobear", mas o cara está tão eufórico quanto ele. Está tão hipnotizado pelo time quanto ele. "É Copa do Brasil rapá", grita o coroa e o garoto percebe o que um título dessa magnitude pode fazer com uma pessoa, não importa a idade.
Por alguns momentos o mundo perde o sentido, a razão deixa de existir e você só pensa em gritar, saudar os jogadores que estão em campo para honrar a paixão que você sente pelo clube. Você não pára de pensar em como será o momento da explosão. O que acontecerá quando o Mengão estufar a rede? É para isso que todos estão lá. Pode ser campeão com zero a zero, mas o povo quer gol, quer gritar, quer levantar poeira. Imagina que injustiça para os 80 mil flanáticos, lotarem o estádio e não verem o gol? Ou pior? Mas não dessa vez.
Todos sabem que Ele é Flamenguista como nós e dessa vez não passa. É matemática pura e simples: nós mortais construímos um colosso em homenagem ao seu filho e o colocamos no alto de um morro na mais bela cidade do mundo. Esse colosso todo dia assiste, de braços abertos, aos treinos do Flamengo abençoando e guiando os futuros craques. Ele quer que amanhã, os cartunistas de cada jornal façam aqueles desenhos da estátua de Seu Filho com o Manto, expressando a alegria da cidade e do país.
Então, meu amigo rubro-negro, prepare-se para uma grande emoção hoje. E amanhã não zoe seus amigos que infelizmente torcem para os outros. Você não precisa passar em frente à sede deles buzinando, não precisa xingar a torcida deles em absolutamente TODOS os gritos de guerra. Eles que comemoram pela vida toda quando conseguem, uma vez a cada dez anos, ser maioria no estádio, quando vencem o nosso time em qualquer ocasião que seja e chegam a considerar uma vitória sobre o Flamengo, algo maior do que a conquista de um título.
Deixe eles de lado. Eles apenas querem ser como você. Querem ser maioria, querem ter mais vitórias dos que os demais, querem ser recordistas em brasileiros, querem ter mais títulos, gols, ídolos. Querem um dia, conquistar o mundo! Somos maiores em tudo!!! Deixe-os tentar. Enquanto isso, vanglorie-se de mais um título exclusivo, que só o Flamengo tem no Rio.
Ande por aí soberano como sempre e quando chegar no Maracanã, ou ao se sentar na frente da TV, em qualquer lugar, cerre os punhos, coloque toda a sua raiva e emoção juntas e grite:
É HOJE PORRA! HOJE O FLAMENGO É BI CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL!
quarta-feira, 30 de junho de 2004
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